A ISO 22301, primeira norma internacional a nível mundial para a Gestão de Continuidade de Negócios (BCM), foi desenvolvida para ajudar as organizações a minimizar o risco associado a este tipo de acontecimentos disruptivos. A ISO lançou oficialmente a ISO 22301 “Segurança da sociedade – Sistemas de gestão de continuidade de negóciosRequisitos”, a nova norma internacional para Sistemas de Gestão de Continuidade de Negócio (SGCN). Esta norma vem substituir a atual norma Britânica BS25999.

A ISO 22301 especifica os requisitos para planear, estabelecer, implementar, operar, monitorizar, rever, manter e melhorar continuamente um sistema de gestão documentado de modo a preparar para, responder e recuperar de eventos que possam interromper o normal funcionamento de uma organização, quando os mesmos ocorram.

Os requisitos especificados na ISO 22301 são genéricos e pretende-se que sejam aplicáveis a todas as organizações, independentemente do tipo, dimensão e natureza da organização. O campo de aplicação destes requisitos depende do ambiente de trabalho e complexidade da organização em causa.

A normalização da continuidade do negócio evolui com a norma ISO 22301, acrescentando:

  • Maior ênfase na definição dos objetivos, monitoração de desempenho e métricas;
  • Expectativas mais claras sobre gestão;
  • Planeamento mais cuidadoso e preparação dos recursos necessários para garantir a continuidade dos negócios.

A ISO 22301 aplica-se a todas as organizações, independentemente do tipo e dimensão, que pretendam

  1. estabelecer, implementar, manter e melhorar um SGCN;
  2. assegurar conformidade com a política declarada da organização de continuidade de negócios;
  3. demonstrar conformidade a outras partes;
  4. procura da certificação / registo de seus SGCN por um organismo independente de certificação acreditado, ou
  5. demonstrar autodeterminação e realizar uma autodeclararão de conformidade com esta Norma Internacional

Principais cláusulas da ISO 22301:2012

Seguindo a nova estrutura do ISO Guide 83, a ISO 22301 encontra-se organizada nas seguintes principais cláusulas:

Cláusula 4: Contexto da organização
Cláusula 5: Liderança
Cláusula 6: Planeamento
Cláusula 7: Suporte
Cláusula 8: Operação
Cláusula 9: Avaliação de desempenho
Cláusula 10: Melhoria

Encontram-se listadas abaixo, cada uma destas atividades principais.

Cláusula 4: Contexto da organização

Determinar questões internas e externas que são relevantes para a sua finalidade e que afetam  a sua capacidade de atingir os resultados esperados dos seus SGCN, tais como:

  • atividades da organização, funções, serviços, produtos, parcerias, cadeias de abastecimento, relações com as partes interessadas, bem como o potencial impacto relacionado a um incidente disruptivo; 1
  • interligações entre a política de continuidade de negócios e os objetivos da organização e outras políticas, incluindo a sua estratégia global de gestão de risco;
  • o apetite de risco da organização;
  • necessidades e expectativas das partes interessadas relevantes;
  • requisitos legais aplicáveis​​, regulamentares e outros requisitos que a organização subscreva

Faz ainda parte deste cláusula, a identificação do âmbito de aplicação do SGCN, tendo em conta os objetivos estratégicos da organização, produtos e serviços essenciais, tolerância de riscos, e quaisquer obrigações regulamentares, contratuais ou das partes interessadas.

Cláusula 5: Liderança

A gestão de topo deve demonstrar um compromisso contínuo com o SGCN. Através da sua liderança e ações, a gestão pode criar um ambiente no qual diferentes atores sejam plenamente envolvidos e em que o sistema de gestão pode operar efetivamente em sinergia com os objetivos da organização. Eles são responsáveis ​​por:

  • assegurar que o SGCN é compatível com a direção estratégica da organização;
  • integrar os requisitos do SGCN nos processos de negócio da organização;
  • fornecer os recursos necessários para o SGCN;
  • comunicar a importância de uma eficaz gestão de continuidade de negócios;
  • assegurar que o SGCN atinge os resultados planeados;
  • orientar e suportar a melhoria contínua;
  • estabelecer e comunicar uma política de continuidade de negócios;
  • assegurar que os objetivos do SGCN e planos são estabelecidos;
  • assegurar que as responsabilidades e autoridades para funções relevantes são atribuídas.

Cláusula 6: Planeamento

Esta é uma fase crítica no que se refere ao estabelecimento de objetivos estratégicos e princípios orientadores para o SGCN como um todo. Os objetivos de um SGCN são a expressão da intenção da organização para tratar dos riscos identificados e / ou para cumprir com os requisitos das necessidades organizacionais. Os objetivos de continuidade de negócios devem:

  • ser coerentes com a política de continuidade de negócios;
  • ter em conta o nível mínimo de produtos e serviços que é aceitável para a organização atingir seus objetivos;
  • ser mensuráveis​​;
  • ter em conta os requisitos aplicáveis;
  • ser monitorizados e atualizados conforme apropriado.

Cláusula 7: Suporte

A gestão do dia-a-dia de um sistema de gestão de continuidade de negócios eficaz baseia-se na utilização dos recursos apropriados para cada tarefa. Estes incluem, equipas competentes com formação relevante (e demonstrável) e serviços de apoio, sensibilização e comunicação. Esta, deve ser apoiada por boa e documentada gestão de informação.

Devem ser consideradas nesta área, comunicações internas e externas da organização, incluindo o formato, o conteúdo e o momento adequado para tais comunicações.

São também especificadas nesta cláusula as exigências sobre a criação, atualização e controle da informação documentada.

Cláusula 8: Operação

Após o planeamento do SGCN, a organização deverá operacionalizá-lo. Esta cláusula incluí:

  • Análise de Impacto de Negócios (AIN): Esta atividade permite à organização identificar os processos críticos que sustentam os seus principais produtos e serviços, as interdependências entre os processos e os recursos necessários para operar os processos num nível minimamente aceitável.
  • Avaliação de Riscos: A ISO 22301 propõe a referência à norma ISO 31000 para implementar este processo. O objetivo deste requisito é o de estabelecer, implementar e manter um processo formal e documentado de avaliação de riscos que sistematicamente identifica, analisa e avalia o risco de incidentes disruptivos para a organização.
  • Estratégia de Continuidade de Negócios: Após serem estabelecidos os requisitos através da AIN e da avaliação dos riscos, podem ser desenvolvidas as estratégias necessárias e identificados os mecanismos que permitam à organização proteger e recuperar as suas atividades críticas tendo por base a tolerância ao risco organizacional e de acordo com os objetivos definidos de tempo de recuperação. A experiência e as boas práticas indicam claramente que uma implementação antecipada de uma estratégia global de Gestão de Continuidade de Negócios (GCN), permitirá à organização garantir que as atividades de GCN são alinhadas com e apoiam a estratégia global de negócios da organização. A estratégia de continuidade de negócios deve ser uma componente integral da estratégia corporativa de uma instituição.
  • Procedimentos de continuidade de negócios: A organização deve documentar os procedimentos (incluindo os arranjos necessários) para garantir a continuidade das atividades e gestão de um incidente disruptivo. Os procedimentos têm de:
      • estabelecer um protocolo de comunicações interno e externo adequado;
      • ser específicos sobre as medidas imediatas que devem ser tomadas durante uma interrupção;
      • ser flexíveis de modo a responderem a ameaças imprevistas e ás alterações das condições internas e externas;
      • ser focados no impacto de eventos que potencialmente poderão interromper as operações;
      • ser desenvolvidos com base em pressupostos declarados e em uma análise de interdependências, e;
      • ser eficientes de forma a minimizar as consequências através da implementação de estratégias de mitigação apropriadas.

Exercitar e testar: Para assegurar que os procedimentos de continuidade de negócios são consistentes com os objetivos de continuidade de negócios, a organização terá que testá-los regularmente. Exercitar e testar são os processos de validação dos planos de continuidade de negócios e procedimentos de modo a assegurar que as estratégias selecionadas são capazes de fornecer as respostas e resultados de recuperação nos prazos acordados pela gestão.

 

Cláusula 9: Avaliação de desempenho

Uma vez implementado o SGCN, a ISO 22301 exige um acompanhamento contínuo do sistema, bem como revisões periódicas para melhorar o seu funcionamento:

  • monitorizar em toda a sua extensão, a política da organização de continuidade de negócios, objetivos e metas de modo a que os mesmos sejam atingidos;
  • medir o desempenho dos processos, procedimentos e funções que protegem as suas atividades prioritárias;
  • monitorizar o cumprimento desta norma e dos objetivos de continuidade de negócios;
  • monitorizar evidências históricas de desempenho deficiente do SGCN
  • condução de auditorias internas em intervalos planeados e
  • avaliar tudo isso na revisão pela gestão em intervalos planeados.

Cláusula 10: Melhoria

A melhoria contínua pode ser definida como todas as ações tomadas em toda a organização para aumentar a eficácia (atingir objetivos) e eficiência (uma relação custo / benefício ideal) dos processos e controlos de segurança para trazer maiores benefícios para a organização e para as suas partes interessadas. Uma organização pode melhorar continuamente a eficácia de seu sistema de gestão através da utilização da política de continuidade de negócios, objetivos, resultados de auditorias, análise de eventos monitorizados, indicadores, ações corretivas e preventivas e revisão da gestão.

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